12Jan2015

Sua alteza, a pipoca

Postado por: Waister Nunes

Rodrigo AlvesEdição de jornal O Popular de 9 de janeiro de 2015 (sexta-feira)

A companheira das sessões de cinema e dos passeios no parque ganha versões gourmet e vira destaque em eventos sociais

No início era o milho. Depois fez-se a pipoca. Branca, pura e simples, amiga das horas de lazer, do cineminha ao no passeio no parque, mal se podia imaginar que chegaria sua vez. Mas chegou. Quem achou que a descoberta dos primeiros povos americanos passaria incólume à onda gourmetizante estava enganado. Hoje, o alimento tornou-se a base de receitas elaboradas e feitos com ingredientes de primeira qualidade e, pasmem, é até mesmo vendido em latas a peso de ouro.

A ideia da pipoca gourmet, embora ainda não massificada, chegou ao Brasil tendo como inspiração iniciativas nos Estados Unidos. Em Goiânia, já ganhou experimentos em feiras de gastronomia e espaço como produto de festas e eventos sociais. “A gente sabe de convidados de clientes que deixam de comer pratos salgados para experimentar as variedades”, comemora, com orgulho indisfarçado, a banqueteira Elaine Moura.

À frente de casa especializada em eventos, Elaine afirma que, desde que começou a trabalhar com pipocas gourmet há três meses, o produto tem se tornado o principal foco de seus pedidos. Como ainda são poucos os profissionais especializados na feitura do alimento elaborado, ela teve de buscar informações fora, em São Paulo e nos Estados Unidos.

“A diferença é o inusitado. O que torna um produto gourmet é sair do comum. Por isso a gente utiliza ingredientes nobres, como chocolate belga, que agrega valor”, garante.

EXPERIMENTAÇÕES

Caramelo, castanhas, queijo cheddar, chocolate fino, doce de leite, parmesão, canela, pé-de-moleque, algodão-doce. Vale de tudo nas experimentações para receitas cujas técnicas de elaboração vão além do óleo vegetal quente e sal. Quem produz afiança que é sucesso garantido entre aqueles que provam. “Normalmente as pessoas não dão crédito. Mas depois que conhecem ficam realmente surpreendidas”, ressalta Elaine Moura.

A banqueteira - que guarda a sete chaves a receita da mais pedida em seu bufê, à base de chocolate e leite ninho acrescida de flor de sal - explica que a apresentação é outro trunfo das pipocas gourmet. O visual, que vende ideia de requinte, precisa ir além dos sabores que variam entre tonalidades de doce e salgado, passando pelo agridoce.

Em eventos que têm comida como decoração, afirma ela, a pipoca é uma alternativa plausível porque mantém qualidades degustativas e de beleza por mais tempo. E, claro, porque todo mundo gosta de experimentar uma novidade.

 

POR QUE O MILHO VIRA PIPOCA?

Pouco se sabe sobre a origem exata, mas há consenso de que a pipoca foi descoberta pelos povos nativos americanos. No milho de pipoca (Zea mays evert), a quantidade de água interna é menor do que nos demais, e a camada externa, ao redor da semente, é quatro vezes mais resistente que a do milho normal. Ao ser aquecido, o interior fica cheio de pressão, já que a “casca grossa” ao redor do centro não deixa a água transformada em vapor sair. Quando a pressão fica insustentável, o grão se rompe espalhando ao redor o amido que se cristaliza logo após ser expelido do interior.

ARTESANAL VS INDUSTRIAL

Para a chef de cozinha Camila Caiado, o que diferencia a variação gourmet do alimento proveniente do estouro do milho da típica versão do cinema ou do parque é o processo de preparo. “Elevar qualquer comida ao status de gourmet requer pelo menos uma de três coisas: técnica diferenciada, ingrediente diferente e especial ou modo elevado de preparação”, conceitua.

A escolha do milho também é importante, ensina a profissional, especialmente se a receita envolve ingredientes úmidos. “A que leva brigadeiro, no momento do preparo, perde volume porque a pipoca murcha”, exemplifica. Por isso, em geral, para ficar vistoso, ela recomenda empregar grãos selecionados. É o que fez, por exemplo, com a receita da “pipoca fit”, que fez sucesso em recente feira gastronômica de Goiânia. Frita em óleo de coco e caramelizada com mel, é acrescida de cacau em pó e canela, e se caracteriza pela quantidade menor de calorias.

Preparar uma pipoca gourmet, segundo a chef, passa longe da praticidade do micro-ondas. No caso de uma de suas receitas agridoces que leva bacon, por exemplo, a pipoca precisa ser trabalhada unidade por unidade. Não à toa, o valor ficar mais elevado.

Tomando como base de comparação a porção do saquinho de 40 gramas de pipoca comum vendido a 2 reais na feira, ela explica que no varejo o valor chega a 5 reais para versões mais simples ou até 7 reais, caso da que leva chocolate belga. Valores até em conta se comparados aos das marcas industrializadas.

SALGADA

Isso mesmo: pipoca gourmet não é sinônimo de pipoca artesanal. Já existem no mercado produtos industrializados, com uso de conservantes, que recebem denominação gourmet. São produtos que, apesar de toques doces, exibem preços para lá de salgados. Os valores batem até mesmo os exageros cobrados pelas redes de cinema em suas bombonières. Há marcas que chegam a custar até 45 reais (pacote de 150 gramas).

No Brasil, já há marcas especializadas neste nicho em Estados como São Paulo e Rio Grande do Sul (conheça algumas no quadro). Como tudo que envolve status e exclusividade, não faltam artifícios para justificar o preço, da coloração artificial no produto às embalagens ultraelaboradas.

 

Receita

PIPOCA DE CARAMELO COM FLOR DE SAL

Ingredientes

- 3 colheres (sopa) de óleo

- 1/2 xícara (chá) de milho para pipoca

- 1 xícara (chá) de açúcar

- 1 colher (sopa) de leite de coco

- 3/4 (xícara) de água

- 2 pitadas de flor de sal

Preparo

Coloque o óleo, o açúcar, a água, o leite de coco e o milho na pipoqueira em fogo médio. Mexa até estourar todo o milho. Espalhe num tabuleiro toda a pipoca e imediatamente acrescente a flor de sal. Sirva em temperatura ambiente.

Receita: Elaine Moura/Accontece Buffet

 

MARCAS FAMOSAS

Alguns produtos industrializados como pipoca já podem ser encontrados no Brasil, em casas especializadas e até aeroportos. Conheça alguns tipos e seus preços.

 

- Garrett Popcorn

Marca tradicional produzida por uma rede de Chicago (EUA). Oferece sabores como cheesecorn (R$ 10, o pacote pequeno), buttery (R$ 6) e Brazil Nut Caramel Crisp (R$ 15).


- Popcorn Plus

Tem sabores inusitados como caramelo com macadâmia e chocolate com castanhas. Preço de R$ 8 (lata com 250 gramas).


- Pipó Gourmet

Marca pioneira no Brasil, tem sabores como lemon pepper, curry e mostarda e até uma variação perfumada com azeite de trufas. Preço entre R$ 20 e R$ 45 (pacote).

 

- Gourmet Popcorn

Produzida no Sul do País, em Gramado (RS), tem variações como cheddar, parmesão e caramelo. O preço vai de R$ 7 a R$ 32.

 

 

 

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